sábado, 7 de setembro de 2013

Minina

minina vem dançar
mas vem dançar de verdade
não fique so de abano de cabeça
num canto triste de saudade

minina vem dançar
mas a dança que vibra no coração
voce sabe do que eu estou falando
voce sabe que eu tenho razão

minina dança com pé e dança com braço
dança com barriga e com rabo com joelho e cotovelo
deixe os outros pra lá ou traga os outros para cá
mas nao tenha vergonha de dançar!

quarta-feira, 26 de junho de 2013

O grito

Somos cebolas e esta metáfora ja está gasta. Mas a espessura e a multiplicação das cascas que nos acacham, assustam. Quantas vezes nos irritamos ou apatizamos sem conseguirmos perceber porque? Quantas vezes nos apaixonamos fervorosamente por coisas ou pessoas que não passam de coisas, sem sequer as conhecermos bem? Nasce um ardor cá dentro, uma procura sedenta cuja intensidade não faz sentido mesmo dentro da irracionalidade do desejo. Não somos nós próprios. Somos os nossos sucessos, as nossas conquistas. E é por esses indíces que nos guiamos. Mas um dia teremos de ser. Esse dia chega sempre. Quantas pessoas também se querem despir no meio de uma estação de comboios e irem gritar a sua nudez para cima de um monte sem vida? Quantas pessoas estão desesperadas por serem?

quinta-feira, 16 de maio de 2013

A teoria

Ainda há poucos dias me falaram de uma teoria. Diz que o Newton só estava metade certo. Não teve paciência para perceber que a gravidade atrai a maçã para o chão mas esse chão absorve a maça e ao transforma-la cria uma força que sobe. Esta história tem me tomado conta dos pensamentos ainda algumas vezes. Embora tenha ficado interessada no seu conteúdo foi a percepção da tamanha pequenice da janela chamada ciência que me fascinou. Tenho a sensação/certeza que já tinha percebido isso, mas vivo num mundo em que nunca sei quando estou a aprender alguma coisa de novo, ou se sempre a soube, se estou a criar e a inovar ou simplesmente a juntar ensinamentos.
Voltando à ciência. É verdade que tem evoluído a passos largos (se é que sabemos o que são passos largos)  mas esta evolução só tem crescido no sentido do lucro. E não são questões de metafisica que fazem despertar a curiosidade dos investidores. Daí a profissão de filósofo ser a mesma que tratador de dinossauros nos dias que correm. Provavelmente porque não faz sentido gastarem dinheiro numa área que eleva as pessoas a mais do que meros números, percorrendo perigosamente, para eles, a realidade onde não é o dinheiro a chave para a felicidade. 

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Pensamentos em resumo

A dada altura das nossas vidas começamos a pensar. Um pensar pensante e mais pesado do que o de uma criança que brinca com os amigos ou de um adolescente que namora com paixão. E esse mesmo pensar assustou-me de morte. Não a ideia de o fazer. Mas sim as conclusões a que fui chegando.
Não somos felizes, ninguém ou poucos os são. Somos armazéns de lixo como escrevi antes. Tenho a certeza disto e também tenho a certeza que esse mesmo lixo só faz parte da minha retina, dos meus sentidos que o traduzem. No fundo não é uma tradução porque na Verdade não há absolutismo e então tudo são interpretações e uma interpretação é uma criação a partir de algo que existe. Mas esta existência é tudo menos inequívoca. Tem milhares de formas (até a palavra forma me parece abusiva), e eu como espectador, com as ferramentas que fui aprendendo ao longo da vida escolho as que posso (porque o querer não é aqui aplicável) e sigo-as. Quase como uma questão de fé. E isto não é assustador, pelo contrário, liberta-nos de todos os julgamentos e preconceitos, não esquecendo que conseguir faz-lo é uma das tarefas mais difíceis da vida. E vem a conversa que já se ouviu: desde bebés que nos formatam, levamos com pais, professores, padres, media, amigos que também eles enganados nos arrastam neste tsunami de ilusões e de corridas a estatutos e imagens que não passam de reflexos egóicos onde nos levam a viver como se tudo à nossa volta fosse um espelho e nesse espelho temos de ver dinheiro, temos de ver sucesso, temos de casar, temos de ter muitos amigos, temos, temos e temos. Os outros vão ver que não somos nem fizemos, os outros vão dizer mal de ti, os outros são melhores que tu.   A verdade é que não há espelho nenhum. Isso seria de um narcisismo doentio. Seria não. É, ele existe realmente. Ninguém está assim tão interessado no carro que tens mas sim no carro que eles não têm. Falam do teu casamento desfeito porque é uma forma de se gabarem da familia perfeita que aparentam ter. Estamos sedentos de realização e isso leva-nos a estes desesperos.
O consumismo também nos apazigua. Podermos comprar transmite uma sensação agradável disso mesmo. Poder. Mas é sobre algo exterior a nós. E quando o fazemos, quase sempre estamos a ser muito fracos noutro campo, no que realmente importa, nós próprios. Não temos qualquer tipo de poder sobre a nossa vontade. Eu também me deixo levar pela facilidade do consumismo mas tenho noção que quando o faço não estou a ir no caminho da minha evolução, estou a fugir dele, a entupir as veias da lucidez. Seja com comida ou alcool, carros e roupa, ou até mesmo com relações.
Comprometo-me a limpar os meus sentidos de tudo o que me foi e é e continuará a ser imposto. Não me deixar levar por instintos primários ou por complexas regras sociais que tentam anular o espírito dominando a mente. Focar-me no agora e reconhece-lo como um renascimento, não só de mim mas de tudo o que sinto(interpreto). Carrego um passado e só eu sou responsável por usa-lo da melhor forma. Anseio um futuro que sou eu que o imagino, tendo especial cuidado com o sedutor campo da imaginação, onde a probabilidade de falhar não existe e só não existe porque nada existe. Uma vida feita de nada é um desperdício de recursos. E estou a ser dura comigo, porque tendo a procrastinar.
Sem conclusão á vista, chega-me a frase 'encaixar sem esforço numa sociedade doente não é sinonimo de sanidade' para me descansar quanto à minha falta de tranquilidade. Isto está tudo virado do avesso, mas ainda bem que comecei a pensar, pode ser que um dia não precise de o fazer mais.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Relações

É muito mais fácil amar pura e plenamente a natureza seja em que representação for, numa paisagem, num animal, numa planta.
A consciência humana é um armazém de um passado. E confessemos, o nosso intelecto espiritual não é simples, por natureza assassinos e invejosos temos de nos saber domar para não sermos engolidos pela sedutora mentira. É essa mentira que leva à frustração, ao ódio e ao mau-estar. Por isso se fala tanta vez da preciosidade da amizade, porque se sabe do ridiculo e confusa que é a nossa consciência. Não somos puros nem verdadeiros, somos um armazém de lixo. Sim tenho noção da generalização mas é mesmo disto que quero falar. Da parte negra da interacção humana. Nem tanto dos insultos e das humilhações explicitas. Mas sim do amor fingido e da chantagem emocional, das traições dissimuladas. Da bajulação e da auto bajulação.  Todos causados pela depressão e repressão da nossa alma enclausurada nestes corpos, nestes armazens.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Sabes de onde vem o teu nome?


Sophia, sabedoria. No gnosticismo era uma analogia à alma humana. Representava um dos aspectos femininos de Deus. Gnóstico é o que tem o conhecimento, gnose conhecimento.  Obrigada wiki.

Sou sofia, serei sofista?
Platão descreveu-os assim:
Um impostor, caçador interessado em jovens ricos, comerciante didático e atleta em combate verbalístico ou erísticopurificador de opiniões, mas também malabarista de argumentos, mais verosímeis do que verdadeiros, mais sedutores do que plausíveis.

sábado, 6 de outubro de 2012

A historia do coelhinho a brincar sozinho e do punhado de sal largado num lago


O cérebro é a maquina mais fácil de viciar. Reconhece apenas o que já conhece, isto pode ser óbvio mas é por vezes esquecido. Deixamo-nos convencer que o nosso conhecimento da vida é uma realidade inequívoca e pior que tudo, certa. Então, começamos a criar avaliações e a tomar decisões baseados em ilusões, o que é seriamente perigoso para a saúde da nossa consciência. Sendo eu uma pessoa que acredita no casamento entre a felicidade e o pensamento, isto torna-se um assunto importante.

A do punhado de sal.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Conversa já dita

O que serei eu quando já não poderei ser nada?
Não temos muitos exemplos de vidas realizadas, essas vidas não foram feitas para viverem. Foram desumanizadas e escravizaram o tempo. Os avós e os pais suam e caiem de cansados, mas não gritam, levantam-se e continuam, qual peça avariada. Os filhos e os netos nada fazem, deixam o mundo girar sem perceberem que tudo não passa de uma mentira, afinal estão dentro do estomâgo do tempo e em breve acaba a digestão. E que é feito de nós? A mentira?


quinta-feira, 15 de março de 2012

Espaços virtuais

Primeiro tenho a dizer que este espaço virtual onde se escreve para depois introduzir, ou não depende do nível de concentração do autor, as mensagens nos nossos brutais blogues é triste e isto não interessa nada.
O assunto não é nada mais nada menos que ser feliz! Por isso trata de dizer de manhã em frente ao espelho: 'és linda! e dar um beijinho na boca do espelho!! notória diferença logo a partir da primeira semana!!! caso de dose excessiva contacte o padre mais próximo. Amor-próprio mata.  É proibido pelo decreto lei 1675387262-21336234 circular em órbita terrestre acima dos valores permitidos pelos grandes chefões'
Voltei. Mas não foi bem ao mesmo sítio. O mesmo sítio é uma utopia da mais traiçoeiras.
Adoração do reflexo? Ou reflexo da adoração?

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Entendi

A apócrifa palavra... Entendi. Afinal, a adjectivação foi o problema. Sempre do seu lado pesado. Já tudo acabou agora. Acabou a dança do show off, o dever da invenção mal-amada. Chegou tarde. É a noiva de um casamento morosamente sôfrego, sendo a celebração tempos de sacrifício educacional e os anos de cumprimento o jubilar dos prazeres.
 A culpa, o cliché dos divans de consultório, não passa de uma sensação transversal, como a fome ou o frio. Não é opcional. E é convergente.

sábado, 10 de setembro de 2011

não me apetece

Estou preguiçosa. Não consigo falar com as pessoas. Nem comigo. A saudade é minha dor, pretinha.

sábado, 27 de agosto de 2011

Pro-cisão

Duas filas separadas, para que entre elas se sinta apenas o som divino-hospitalar da luz branca da cruz de ferro. Imaginei paralemamente jesus cristo um amigo lá do bairro, meio nerd e borbulhento. O que contradiz com a minha fotografia já emoldurada de JC, o garanhão. Isto porque as suplicas cantadas pelo rebanho apaixonado são mais sedutoras fora do santuário.
Tudo o que é transcendentemente belo é-o a meia luz, é-o em cima de uma nuvem ou altar, é-o em sonhos, é-o em tempos muito antigos ou em metáforas demasiado ambiguas e assim inacessiveis.
A questão é que eu até precisava de missas e de rezas que me ajudassem a aguentar a travessia deste deserto mais seco que o habitual... Não está fácil.

terça-feira, 10 de maio de 2011

....

Não tinha de pedir desculpa. O mundo dá-nos terra para podermos procurar o nosso canto. O meu queria que eu ficasse o seu jardineiro pessoal, a criar umas plantas bonitas para o embelezar. Mas eu não me conformo, no fundo eu sei que já o faço feliz desde que a flor cheire bem e o fruto alimente.

E os pais dos três porquinhos?

Sim não é legitimo evitar a exigência. Afinal de contas sempre foi esse o meu principal combustivel. Mas nos meus mandamentos, ainda poucos mas cada vez menos dubios, não há nenhum que me permita a busca insipida e bolorenta. Tenho as veias a cheirar a mofo. Não sei se a revolta é da idade, se os objectivos desprovidos de luxo são uma patética consequência de influencias literárias demasiado gotamistas. O que sei é que anseio.
 Acho comodista sentir-me presa, como se gostasse de ter umas correntes inquebráveis e inibidoras de qualquer vontade própria, sem saída. Só por estar a falar disto tenho pena desta minha figura, porque não existem correntes. As opções estão ali, já sentadas, de braços cruzados e ofendidas pelo meu desprezo.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

outros

O que eu sou, é quase tudo feito do que os outros me dão. Mas todos nós pensamos como Siddhartha. O melhor mestre está sempre tão perto.

sábado, 15 de janeiro de 2011

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Arrefecer, é do que eu preciso. Tudo o que é frio remete para uma solidão pacificadora, assustadora a longo prazo. É verdade que tenho pensado muito nisto, sinto mesmo falta do meu reflexo. Mas os espelhos andam todos avariados.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Chazinhos recreativos

Estava no carro, e tentava novamente lembrar-me do final do filme de ontem. Esforcei me para recuar umas singelas 24 horas mas os fraquinhos distribuidores da Memória e filhos, lda chegaram exaustos e só com metade da narrativa. Foi quando percebi que estava com os músculos do pescoço tensos. Relaxei-os. Saíram uns bons kilos.
Lembrei-me do ensinamento budista: tudo o que se vive é com concentração e total dedicação. 'É a diferença de varrermos o chão da cozinha com dedicação e consciência ou como um gesto mecânico' palavras de monge. Vejo o o sempre a varrer umas folhas vermelhas num grande pátio. Com vento, há sempre vento... O movimento do vermelho das vestes e das folhas representa a dimensão espiritual daquele monte de serenidade.
Concentrei-me na condução, no prazer da velocidade e na agradável chuva grossa e rara que salteava de nódoas circulares a limpa imagem de uma noite molhada e iluminada. Comecei então a imaginar-me no és de spots a escrever sobre os speedthougts do momento e reparei naquela ligeira e quase imperceptível  pressão maxilar. Lá está...
A minha relação com a Sra. Fig. Geo. Circunferência já teve melhores dias.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Chuviscos pesados

Descobri hoje o que me delicia na chuva: cai sobre nós como se fosse um invasor do espaço.
Do espaço que ninguém ocupa, do lugar das palavras e das não-palavras. Como se todos os espasmos do nosso pensamento e imaginário que pairam por aí criassem uma certa poeira desordenada saboreando a enorme dádiva de serem imunes à cruel lei da gravidade. Só aqueles pequeninos nadas, que tanto valem, (sublinhe-se o paralelismo) os conseguem arrastar até ao chão. E lá caiem por terra as ideias molhadas e lamacentas. Aaah ! Que saboroso é partilhar esta insustentável dor... Tem dias que o ser é mais pesado do que leve. 

Tenho um certo gosto sádico pelo peso. Talvez tenha medo da força que puxa lá de cima. Sempre me irritou tirarem-me os pés do chão.. Sempre foi reconfortante chorar abraçada a um qualquer tapete.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Anexo


ou....

 e conhecer o Mr SiMo e  a sua caixa flutuante :

Pais

Pai Natal, bem sabes que tento não o fazer, mas para o bem geral lá tenho de ir à missa umas quantas vezes ao ano. Mas deixei de comer as hóstias, que tão bem me sabiam, por respeito e por não desrespeito.
Como vês tenho começado a remar e não vou sentindo falta das correntes. Até já começo a ficar com músculo imagina só.
Vá Nosso Pai, trata de na minha (trato disto no ano que vem) próxima vida mandar a cegonha para aqui algures, numa cidade enterrada no verde. Num verde alto e intrusivo.
Para este Dezembro chega-me uma máquina fotográfica deste calibre.

sábado, 11 de dezembro de 2010

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Minimalismo emocional

Tenho muita vez um sentimento que não sei denominar, o inverso da compaixão, felicidade (aquela que cria um nó de lágrimas na garganta) de ver alguém a ser simpático com um estranho. A minha mala -de 30kg- bateu numa senhora que ao meu pedido de desculpas retorquiu um sincero "não tem mal". Uma outra ia caindo com o solavanco do autocarro e a passageira mais próxima evita a tragédia, mas não foi nesse acto que vi beleza, foi na genuína expressão de aflição ao ver um semelhante quase cair por terra.
A verdade é que há por aí muita gargalhada graças à desgraça alheia, ha por aí muito insulto por um empurrão despropositado, há por aí muitas pedras.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

No problem

Principiante no visual

                                                                                                  Mésange, COEUR


Do canto em que eu estou esta pintura parece-me isto:

Da parede rachada que eu aqui vejo, brota uma cabeça de um passarinho de cores bonitas. O pouco brilho do seu fato sério de colarinho branco (muito bem passado a ferro) contrasta com os seus olhos . O que eu relaciono com a dicotomia homem-natureza. A opacidade e o traço do desenho da racha e do fato/buraco perde a beleza ao pé do perfeito animal.
A sombra da cabeça do mésange lembra a terra e o céu. O dito pode estar nos dois sítios (quem desenhou aquele fato é que não) mas é encostado no seu canto que o bicho está a observar.

Gostei de navegar nestes mares, www.galerie-albane.com.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Eu, o terrível.

Há uma necessidade sobre humana, exclusiva dos humanos, de recorrer à dependência.

Hoje, o Savater disse-me que só Deus é capaz de ser absolutamente feliz. Só é possivel sê-lo na solidão. Nós, os pecadores, precisamos de companhia dos nossos semelhantes para nos completarem e só assim termos momentos de regozijo.
Somos um bocadinho patéticos com esta nossa isolo(auto)fobia. Basta vermos uma pessoa sozinha sentada num banco de jardim que nos invade um sentimento de compaixão(só para os mais bondosos, os outros talvez pensem "olha este coitado, sem amigos"). Se estiver a ler um livro ou até -o vicio, a divindade do nosso século- a fumar um cigarro parece que já se atenua a falta de companhia.
Confessemos, não tememos as chamas do inferno nem a falta de dinheiro, nem a demencia, o que nos apavora é não termos um da nossa especie ao nosso lado para podermos ter umas quantas felicidades.
(No 22 estavam dois malucos, cantavam e comunicavam numa linguagem estranha para os expectantes. Sim, felizes.)
Se optarmos por viver num referencial em que não se tolera o silêncio social, cai-se numa perigosa armadilha. Acabamos por não conhecer a única pessoa que nunca em caso algum nos abandonará. Até podemos saber os traços da nossa personalidade, dos nossos gostos e muitas outras coisas que aprendemos com as vivências ao longo dos anos de passeio neste planeta. Ma este tipo de conhecimentos têm-se de um bom companheiro,
  • Mia: "Don't you hate that?"
  • Vincent: "What?"
  • Mia: "Uncomfortable silences. Why do we feel it's necessary to yak about bullshit in order to be comfortable?"
  • Vincent: "I don't know."
  • Mia: "That's when you know you found somebody special. When you can just shut the fuck up for a minute, and comfortably share silence."
Pulp Fiction

No entanto, é tão vasta e complexa a forma de comunicação com o nosso eu que ou vamos explorando com inteligência a própria ou então poderá ser tarde demais.
Quando a ideia de nos sentarmos num banco de jardim sozinhos nos afigurar absurda, temos razão para ter medo da solidão. Haverá alguém melhor para saborear momentos de silêncio?

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Deus despido

Jesus Cristo? As imagens q temos dele até são de um homem atraente.

Pensei nisto quando soube q Deus está dentro de mim. Mas sem cariz sexual.

Deus é a vontade própria do meu subconsciente. É a minha massa cinzenta a trabalhar para alcançar um objectivo especifico, sem eu lhe ter dado qualquer ordem.

Deus é um dialogo orgasmico entre as memorias e as fantasias.

Deus, és o meu Deus.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Blasfémias


“Eles fizeram [Deus] um ser parecido ao ser humano, com quem se pode ter um relacionamento pessoal. Quando você olha para a vastidão do universo e para como uma vida humana acidental é insignificanteem si mesma, isso parece muito impossível.”

“Há uma diferença fundamental entre a religião, que se baseia na autoridade, e a ciência, que se baseia na observação e na razão. A ciência vai ganhar porque funciona.”

“Se os extraterrestres nos visitarem, o resultado seria muito parecido a quando Colombo desembarcou na América, que não deu muito certo para os nativos americanos”, disse ele. “Só precisamos olhar para nós mesmos para ver como a vida inteligente se pode desenvolver para algo que não gostaríamos de conhecer.”

“Por haver uma lei como a gravidade, o universo pode e irá criar a ele mesmo do nada. A criação espontânea é a razão pela qual algo existe ao invés de não existir nada, é a razão pela qual o universo existe, pela qual nós existimos. Não é necessário que evoquemos Deus para iluminar as coisas e criar o universo.”

No seu mais recente trabalho, The Great Design, o físico cita a descoberta, feita em 1992, de um planeta que orbita uma estrela fora do Sistema Solar, como um marco contra a crença de Isaac Newton de que o universo não poderia ter surgido do caos. “Isso torna as coincidências de nossas condições planetárias – o único sol, a feliz combinação da distância entre o Sol e a Terra e a massa solar – bemmenos importantes, e bem menos convincentes, como evidência de que a Terra foi cuidadosamente projetada apenas para agradar aos seres humanos”, afirma Hawking.

“Se pudermos evitar o desastre nos próximos séculos, a nossa espécie permanerá. (...)Temos de começar a pensar seriamente como nos vamos libertar dos limites deste planeta agonizante. (...)A nossa única oportunidade de sobrevivência a longo prazo, não deve permanecer fechada no planeta Terra, mas sim para nos difundirmos no espaço”.

“A raça humana não deveria ter todos os ovos num só ninho, ou num planeta”.

“Chegou o momento de nos libertarmos da Mãe Terra”.


Vou fazer a minha mala espacial.



domingo, 19 de setembro de 2010

Carris sem ipod

Não encontro significado nas coincidências. Isto transtorna-me porque cada vez mais acredito na aleatoriedade do universo e no acaso como o pai de todos os amores e desamores.

Também não percebo os sinais - aquelas pequenas repetições ou ironias que o destino, disfarçadamente, nos oferece- que me falam na rua. Fico a mira-los, gosto de os descobrir, como se se tratasse de um belo pedaço de natureza morta caída no chão à espera que um olhar de artista o leve para casa. Atrevo-me a pegar nesses tais sinais e a pô-los nas minhas quase sempre gigantes malas, nunca se sabe o tamanho dos ditos.

Mas eles não falam comigo. Estão mortos! É impossível interpreta-los, conhece-los, não são capazes de explicar ou ensinar porra nenhuma. Que injusto! A arte do meu olhar sente-se agora inútil e incapaz, talvez por isso haja tão pouca nos olhos destes homens.
A arte não tem paciência, é frívola, inconstante e exigente nas suas carências. Temos de a alimentar se não morre. De lhe dar os bons dias, as boas tardes, as boas noites... Não é preciso ser com simpatia, ela só quer estar perto do que sentimos, seja lá o que for.

No fim, os sinais lançam-nos um sorriso quase maquiavélico, porque sabem que é o acaso o dono do mundo.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Pensamentos de jardim

Ela cantava, uma melodia saborosa e relaxante, onde só as pausas eram notas. O instrumento de sopro corria pelo palco e saltava para a plateia numa exaustiva dança, sem cansar, sem forçar, sem vestes -sim todo nú- e sem medo nem vergonha. Era o vento. Mas eu não lhe dei importância. Continuava a admira-la. A abanar-se suavemente. Não havia ritmo, nada era periódico e muito menos repetitivo.

Arrepio-me com toda a improvisação, quem ficar indiferente à mistura do som com a liberdade não entende o sentido da vida. Como é belo o movimento sem antecipação, sem linhas direitas, onde nada há para seguir nem para perder ou falhar.

Se nos regarmos com espontaneidade, talvez consigamos crescer saudaveis.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Não era preciso tanto !

-Então e há noticias?

-De quê?

-Do mundo exterior...

-Não sei(FOX), vai dar simpsons!

terça-feira, 29 de junho de 2010

Sucesso

"O sucesso e a fama são totalmente aleatórios. Mas o mesmo não se pode dizer da felicidade. É possivel pintar e ser feliz. A questão não é saber se o quadro se tornará famoso ou se você se tornará um novo Picasso. O que importa é pintar de uma forma tal que até Picasso o invejaria.

O sucesso não alimenta porque não contém nutrientes- o sucesso é apenas uma palavra.

Todas as pessoas sofrem de um complexo de inferioridade. Esta situação é realmente estranha, porque ninguém é inferior nem superior. A unicidade de cada indivíduo impossibilita qualquer comparação.

Aquele que tem ambição é doente."

Osho

Sou doente. Mas sei que na maioria das vezes quanto mais longe se chega, menos sorrisos temos no bolso. Parece que é a moeda de troca.

-Queres subir mais uns degraus? É uma duzia de tardes bem passadas sff.

-Quer uma promoção no trabalho? 5 gargalhadas, está com sorte é tempo de saldos.


Não, não, não..

Quero as minhas tardes bem passadas, quero risos e abraços.
Quero paz e música.

Quanto custa? Eu pago.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Ser mais caracol

Everyday, think as you wake up, ‘today I am fortunate to have woken up, I am alive, I have a precious human life, I am not going to waste it. I am going to use all my energies to develop myself, to expand my heart out to others, to achieve enlightenment for the benefit of all beings, I am going to have kind thoughts towards others, I am not going to get angry or think badly about others, I am going to benefit others as much as I can.

Dalai Lama



Não quero acordar. Estou abraçada à cama com tanta força que até acho cruel arrancar me desta escuridão apaziguadora.

Mas se acordarmos cedo reparamos na calma e na satisfação que o dia sente ao sair da 'cama'. Ele saboreia vagarosamente o despertar. O que nos falta é uma simples aprendizagem do devagar.

Toda a saudação é lenta.
Todo o prazer se vive mais intensamente se for vivido em passo de caracol.