quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Principiante no visual
Do canto em que eu estou esta pintura parece-me isto:
Da parede rachada que eu aqui vejo, brota uma cabeça de um passarinho de cores bonitas. O pouco brilho do seu fato sério de colarinho branco (muito bem passado a ferro) contrasta com os seus olhos . O que eu relaciono com a dicotomia homem-natureza. A opacidade e o traço do desenho da racha e do fato/buraco perde a beleza ao pé do perfeito animal.
A sombra da cabeça do mésange lembra a terra e o céu. O dito pode estar nos dois sítios (quem desenhou aquele fato é que não) mas é encostado no seu canto que o bicho está a observar.
Gostei de navegar nestes mares, www.galerie-albane.com.
terça-feira, 23 de novembro de 2010
Eu, o terrível.
Há uma necessidade sobre humana, exclusiva dos humanos, de recorrer à dependência.
Hoje, o Savater disse-me que só Deus é capaz de ser absolutamente feliz. Só é possivel sê-lo na solidão. Nós, os pecadores, precisamos de companhia dos nossos semelhantes para nos completarem e só assim termos momentos de regozijo.
Somos um bocadinho patéticos com esta nossa isolo(auto)fobia. Basta vermos uma pessoa sozinha sentada num banco de jardim que nos invade um sentimento de compaixão(só para os mais bondosos, os outros talvez pensem "olha este coitado, sem amigos"). Se estiver a ler um livro ou até -o vicio, a divindade do nosso século- a fumar um cigarro parece que já se atenua a falta de companhia.
Confessemos, não tememos as chamas do inferno nem a falta de dinheiro, nem a demencia, o que nos apavora é não termos um da nossa especie ao nosso lado para podermos ter umas quantas felicidades.
(No 22 estavam dois malucos, cantavam e comunicavam numa linguagem estranha para os expectantes. Sim, felizes.)
Se optarmos por viver num referencial em que não se tolera o silêncio social, cai-se numa perigosa armadilha. Acabamos por não conhecer a única pessoa que nunca em caso algum nos abandonará. Até podemos saber os traços da nossa personalidade, dos nossos gostos e muitas outras coisas que aprendemos com as vivências ao longo dos anos de passeio neste planeta. Ma este tipo de conhecimentos têm-se de um bom companheiro,
No entanto, é tão vasta e complexa a forma de comunicação com o nosso eu que ou vamos explorando com inteligência a própria ou então poderá ser tarde demais.
Quando a ideia de nos sentarmos num banco de jardim sozinhos nos afigurar absurda, temos razão para ter medo da solidão. Haverá alguém melhor para saborear momentos de silêncio?
Hoje, o Savater disse-me que só Deus é capaz de ser absolutamente feliz. Só é possivel sê-lo na solidão. Nós, os pecadores, precisamos de companhia dos nossos semelhantes para nos completarem e só assim termos momentos de regozijo.
Somos um bocadinho patéticos com esta nossa isolo(auto)fobia. Basta vermos uma pessoa sozinha sentada num banco de jardim que nos invade um sentimento de compaixão(só para os mais bondosos, os outros talvez pensem "olha este coitado, sem amigos"). Se estiver a ler um livro ou até -o vicio, a divindade do nosso século- a fumar um cigarro parece que já se atenua a falta de companhia.
Confessemos, não tememos as chamas do inferno nem a falta de dinheiro, nem a demencia, o que nos apavora é não termos um da nossa especie ao nosso lado para podermos ter umas quantas felicidades.
(No 22 estavam dois malucos, cantavam e comunicavam numa linguagem estranha para os expectantes. Sim, felizes.)
Se optarmos por viver num referencial em que não se tolera o silêncio social, cai-se numa perigosa armadilha. Acabamos por não conhecer a única pessoa que nunca em caso algum nos abandonará. Até podemos saber os traços da nossa personalidade, dos nossos gostos e muitas outras coisas que aprendemos com as vivências ao longo dos anos de passeio neste planeta. Ma este tipo de conhecimentos têm-se de um bom companheiro,
- Mia: "Don't you hate that?"
- Vincent: "What?"
- Mia: "Uncomfortable silences. Why do we feel it's necessary to yak about bullshit in order to be comfortable?"
- Vincent: "I don't know."
- Mia: "That's when you know you found somebody special. When you can just shut the fuck up for a minute, and comfortably share silence."
No entanto, é tão vasta e complexa a forma de comunicação com o nosso eu que ou vamos explorando com inteligência a própria ou então poderá ser tarde demais.
Quando a ideia de nos sentarmos num banco de jardim sozinhos nos afigurar absurda, temos razão para ter medo da solidão. Haverá alguém melhor para saborear momentos de silêncio?
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