quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Chuviscos pesados

Descobri hoje o que me delicia na chuva: cai sobre nós como se fosse um invasor do espaço.
Do espaço que ninguém ocupa, do lugar das palavras e das não-palavras. Como se todos os espasmos do nosso pensamento e imaginário que pairam por aí criassem uma certa poeira desordenada saboreando a enorme dádiva de serem imunes à cruel lei da gravidade. Só aqueles pequeninos nadas, que tanto valem, (sublinhe-se o paralelismo) os conseguem arrastar até ao chão. E lá caiem por terra as ideias molhadas e lamacentas. Aaah ! Que saboroso é partilhar esta insustentável dor... Tem dias que o ser é mais pesado do que leve. 

Tenho um certo gosto sádico pelo peso. Talvez tenha medo da força que puxa lá de cima. Sempre me irritou tirarem-me os pés do chão.. Sempre foi reconfortante chorar abraçada a um qualquer tapete.

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