terça-feira, 1 de novembro de 2011

Entendi

A apócrifa palavra... Entendi. Afinal, a adjectivação foi o problema. Sempre do seu lado pesado. Já tudo acabou agora. Acabou a dança do show off, o dever da invenção mal-amada. Chegou tarde. É a noiva de um casamento morosamente sôfrego, sendo a celebração tempos de sacrifício educacional e os anos de cumprimento o jubilar dos prazeres.
 A culpa, o cliché dos divans de consultório, não passa de uma sensação transversal, como a fome ou o frio. Não é opcional. E é convergente.

sábado, 10 de setembro de 2011

não me apetece

Estou preguiçosa. Não consigo falar com as pessoas. Nem comigo. A saudade é minha dor, pretinha.

sábado, 27 de agosto de 2011

Pro-cisão

Duas filas separadas, para que entre elas se sinta apenas o som divino-hospitalar da luz branca da cruz de ferro. Imaginei paralemamente jesus cristo um amigo lá do bairro, meio nerd e borbulhento. O que contradiz com a minha fotografia já emoldurada de JC, o garanhão. Isto porque as suplicas cantadas pelo rebanho apaixonado são mais sedutoras fora do santuário.
Tudo o que é transcendentemente belo é-o a meia luz, é-o em cima de uma nuvem ou altar, é-o em sonhos, é-o em tempos muito antigos ou em metáforas demasiado ambiguas e assim inacessiveis.
A questão é que eu até precisava de missas e de rezas que me ajudassem a aguentar a travessia deste deserto mais seco que o habitual... Não está fácil.

terça-feira, 10 de maio de 2011

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Não tinha de pedir desculpa. O mundo dá-nos terra para podermos procurar o nosso canto. O meu queria que eu ficasse o seu jardineiro pessoal, a criar umas plantas bonitas para o embelezar. Mas eu não me conformo, no fundo eu sei que já o faço feliz desde que a flor cheire bem e o fruto alimente.

E os pais dos três porquinhos?

Sim não é legitimo evitar a exigência. Afinal de contas sempre foi esse o meu principal combustivel. Mas nos meus mandamentos, ainda poucos mas cada vez menos dubios, não há nenhum que me permita a busca insipida e bolorenta. Tenho as veias a cheirar a mofo. Não sei se a revolta é da idade, se os objectivos desprovidos de luxo são uma patética consequência de influencias literárias demasiado gotamistas. O que sei é que anseio.
 Acho comodista sentir-me presa, como se gostasse de ter umas correntes inquebráveis e inibidoras de qualquer vontade própria, sem saída. Só por estar a falar disto tenho pena desta minha figura, porque não existem correntes. As opções estão ali, já sentadas, de braços cruzados e ofendidas pelo meu desprezo.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

outros

O que eu sou, é quase tudo feito do que os outros me dão. Mas todos nós pensamos como Siddhartha. O melhor mestre está sempre tão perto.

sábado, 15 de janeiro de 2011

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Arrefecer, é do que eu preciso. Tudo o que é frio remete para uma solidão pacificadora, assustadora a longo prazo. É verdade que tenho pensado muito nisto, sinto mesmo falta do meu reflexo. Mas os espelhos andam todos avariados.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Chazinhos recreativos

Estava no carro, e tentava novamente lembrar-me do final do filme de ontem. Esforcei me para recuar umas singelas 24 horas mas os fraquinhos distribuidores da Memória e filhos, lda chegaram exaustos e só com metade da narrativa. Foi quando percebi que estava com os músculos do pescoço tensos. Relaxei-os. Saíram uns bons kilos.
Lembrei-me do ensinamento budista: tudo o que se vive é com concentração e total dedicação. 'É a diferença de varrermos o chão da cozinha com dedicação e consciência ou como um gesto mecânico' palavras de monge. Vejo o o sempre a varrer umas folhas vermelhas num grande pátio. Com vento, há sempre vento... O movimento do vermelho das vestes e das folhas representa a dimensão espiritual daquele monte de serenidade.
Concentrei-me na condução, no prazer da velocidade e na agradável chuva grossa e rara que salteava de nódoas circulares a limpa imagem de uma noite molhada e iluminada. Comecei então a imaginar-me no és de spots a escrever sobre os speedthougts do momento e reparei naquela ligeira e quase imperceptível  pressão maxilar. Lá está...
A minha relação com a Sra. Fig. Geo. Circunferência já teve melhores dias.