quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Chuviscos pesados

Descobri hoje o que me delicia na chuva: cai sobre nós como se fosse um invasor do espaço.
Do espaço que ninguém ocupa, do lugar das palavras e das não-palavras. Como se todos os espasmos do nosso pensamento e imaginário que pairam por aí criassem uma certa poeira desordenada saboreando a enorme dádiva de serem imunes à cruel lei da gravidade. Só aqueles pequeninos nadas, que tanto valem, (sublinhe-se o paralelismo) os conseguem arrastar até ao chão. E lá caiem por terra as ideias molhadas e lamacentas. Aaah ! Que saboroso é partilhar esta insustentável dor... Tem dias que o ser é mais pesado do que leve. 

Tenho um certo gosto sádico pelo peso. Talvez tenha medo da força que puxa lá de cima. Sempre me irritou tirarem-me os pés do chão.. Sempre foi reconfortante chorar abraçada a um qualquer tapete.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Anexo


ou....

 e conhecer o Mr SiMo e  a sua caixa flutuante :

Pais

Pai Natal, bem sabes que tento não o fazer, mas para o bem geral lá tenho de ir à missa umas quantas vezes ao ano. Mas deixei de comer as hóstias, que tão bem me sabiam, por respeito e por não desrespeito.
Como vês tenho começado a remar e não vou sentindo falta das correntes. Até já começo a ficar com músculo imagina só.
Vá Nosso Pai, trata de na minha (trato disto no ano que vem) próxima vida mandar a cegonha para aqui algures, numa cidade enterrada no verde. Num verde alto e intrusivo.
Para este Dezembro chega-me uma máquina fotográfica deste calibre.

sábado, 11 de dezembro de 2010

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Minimalismo emocional

Tenho muita vez um sentimento que não sei denominar, o inverso da compaixão, felicidade (aquela que cria um nó de lágrimas na garganta) de ver alguém a ser simpático com um estranho. A minha mala -de 30kg- bateu numa senhora que ao meu pedido de desculpas retorquiu um sincero "não tem mal". Uma outra ia caindo com o solavanco do autocarro e a passageira mais próxima evita a tragédia, mas não foi nesse acto que vi beleza, foi na genuína expressão de aflição ao ver um semelhante quase cair por terra.
A verdade é que há por aí muita gargalhada graças à desgraça alheia, ha por aí muito insulto por um empurrão despropositado, há por aí muitas pedras.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

No problem

Principiante no visual

                                                                                                  Mésange, COEUR


Do canto em que eu estou esta pintura parece-me isto:

Da parede rachada que eu aqui vejo, brota uma cabeça de um passarinho de cores bonitas. O pouco brilho do seu fato sério de colarinho branco (muito bem passado a ferro) contrasta com os seus olhos . O que eu relaciono com a dicotomia homem-natureza. A opacidade e o traço do desenho da racha e do fato/buraco perde a beleza ao pé do perfeito animal.
A sombra da cabeça do mésange lembra a terra e o céu. O dito pode estar nos dois sítios (quem desenhou aquele fato é que não) mas é encostado no seu canto que o bicho está a observar.

Gostei de navegar nestes mares, www.galerie-albane.com.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Eu, o terrível.

Há uma necessidade sobre humana, exclusiva dos humanos, de recorrer à dependência.

Hoje, o Savater disse-me que só Deus é capaz de ser absolutamente feliz. Só é possivel sê-lo na solidão. Nós, os pecadores, precisamos de companhia dos nossos semelhantes para nos completarem e só assim termos momentos de regozijo.
Somos um bocadinho patéticos com esta nossa isolo(auto)fobia. Basta vermos uma pessoa sozinha sentada num banco de jardim que nos invade um sentimento de compaixão(só para os mais bondosos, os outros talvez pensem "olha este coitado, sem amigos"). Se estiver a ler um livro ou até -o vicio, a divindade do nosso século- a fumar um cigarro parece que já se atenua a falta de companhia.
Confessemos, não tememos as chamas do inferno nem a falta de dinheiro, nem a demencia, o que nos apavora é não termos um da nossa especie ao nosso lado para podermos ter umas quantas felicidades.
(No 22 estavam dois malucos, cantavam e comunicavam numa linguagem estranha para os expectantes. Sim, felizes.)
Se optarmos por viver num referencial em que não se tolera o silêncio social, cai-se numa perigosa armadilha. Acabamos por não conhecer a única pessoa que nunca em caso algum nos abandonará. Até podemos saber os traços da nossa personalidade, dos nossos gostos e muitas outras coisas que aprendemos com as vivências ao longo dos anos de passeio neste planeta. Ma este tipo de conhecimentos têm-se de um bom companheiro,
  • Mia: "Don't you hate that?"
  • Vincent: "What?"
  • Mia: "Uncomfortable silences. Why do we feel it's necessary to yak about bullshit in order to be comfortable?"
  • Vincent: "I don't know."
  • Mia: "That's when you know you found somebody special. When you can just shut the fuck up for a minute, and comfortably share silence."
Pulp Fiction

No entanto, é tão vasta e complexa a forma de comunicação com o nosso eu que ou vamos explorando com inteligência a própria ou então poderá ser tarde demais.
Quando a ideia de nos sentarmos num banco de jardim sozinhos nos afigurar absurda, temos razão para ter medo da solidão. Haverá alguém melhor para saborear momentos de silêncio?

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Deus despido

Jesus Cristo? As imagens q temos dele até são de um homem atraente.

Pensei nisto quando soube q Deus está dentro de mim. Mas sem cariz sexual.

Deus é a vontade própria do meu subconsciente. É a minha massa cinzenta a trabalhar para alcançar um objectivo especifico, sem eu lhe ter dado qualquer ordem.

Deus é um dialogo orgasmico entre as memorias e as fantasias.

Deus, és o meu Deus.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Blasfémias


“Eles fizeram [Deus] um ser parecido ao ser humano, com quem se pode ter um relacionamento pessoal. Quando você olha para a vastidão do universo e para como uma vida humana acidental é insignificanteem si mesma, isso parece muito impossível.”

“Há uma diferença fundamental entre a religião, que se baseia na autoridade, e a ciência, que se baseia na observação e na razão. A ciência vai ganhar porque funciona.”

“Se os extraterrestres nos visitarem, o resultado seria muito parecido a quando Colombo desembarcou na América, que não deu muito certo para os nativos americanos”, disse ele. “Só precisamos olhar para nós mesmos para ver como a vida inteligente se pode desenvolver para algo que não gostaríamos de conhecer.”

“Por haver uma lei como a gravidade, o universo pode e irá criar a ele mesmo do nada. A criação espontânea é a razão pela qual algo existe ao invés de não existir nada, é a razão pela qual o universo existe, pela qual nós existimos. Não é necessário que evoquemos Deus para iluminar as coisas e criar o universo.”

No seu mais recente trabalho, The Great Design, o físico cita a descoberta, feita em 1992, de um planeta que orbita uma estrela fora do Sistema Solar, como um marco contra a crença de Isaac Newton de que o universo não poderia ter surgido do caos. “Isso torna as coincidências de nossas condições planetárias – o único sol, a feliz combinação da distância entre o Sol e a Terra e a massa solar – bemmenos importantes, e bem menos convincentes, como evidência de que a Terra foi cuidadosamente projetada apenas para agradar aos seres humanos”, afirma Hawking.

“Se pudermos evitar o desastre nos próximos séculos, a nossa espécie permanerá. (...)Temos de começar a pensar seriamente como nos vamos libertar dos limites deste planeta agonizante. (...)A nossa única oportunidade de sobrevivência a longo prazo, não deve permanecer fechada no planeta Terra, mas sim para nos difundirmos no espaço”.

“A raça humana não deveria ter todos os ovos num só ninho, ou num planeta”.

“Chegou o momento de nos libertarmos da Mãe Terra”.


Vou fazer a minha mala espacial.



domingo, 19 de setembro de 2010

Carris sem ipod

Não encontro significado nas coincidências. Isto transtorna-me porque cada vez mais acredito na aleatoriedade do universo e no acaso como o pai de todos os amores e desamores.

Também não percebo os sinais - aquelas pequenas repetições ou ironias que o destino, disfarçadamente, nos oferece- que me falam na rua. Fico a mira-los, gosto de os descobrir, como se se tratasse de um belo pedaço de natureza morta caída no chão à espera que um olhar de artista o leve para casa. Atrevo-me a pegar nesses tais sinais e a pô-los nas minhas quase sempre gigantes malas, nunca se sabe o tamanho dos ditos.

Mas eles não falam comigo. Estão mortos! É impossível interpreta-los, conhece-los, não são capazes de explicar ou ensinar porra nenhuma. Que injusto! A arte do meu olhar sente-se agora inútil e incapaz, talvez por isso haja tão pouca nos olhos destes homens.
A arte não tem paciência, é frívola, inconstante e exigente nas suas carências. Temos de a alimentar se não morre. De lhe dar os bons dias, as boas tardes, as boas noites... Não é preciso ser com simpatia, ela só quer estar perto do que sentimos, seja lá o que for.

No fim, os sinais lançam-nos um sorriso quase maquiavélico, porque sabem que é o acaso o dono do mundo.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Pensamentos de jardim

Ela cantava, uma melodia saborosa e relaxante, onde só as pausas eram notas. O instrumento de sopro corria pelo palco e saltava para a plateia numa exaustiva dança, sem cansar, sem forçar, sem vestes -sim todo nú- e sem medo nem vergonha. Era o vento. Mas eu não lhe dei importância. Continuava a admira-la. A abanar-se suavemente. Não havia ritmo, nada era periódico e muito menos repetitivo.

Arrepio-me com toda a improvisação, quem ficar indiferente à mistura do som com a liberdade não entende o sentido da vida. Como é belo o movimento sem antecipação, sem linhas direitas, onde nada há para seguir nem para perder ou falhar.

Se nos regarmos com espontaneidade, talvez consigamos crescer saudaveis.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Não era preciso tanto !

-Então e há noticias?

-De quê?

-Do mundo exterior...

-Não sei(FOX), vai dar simpsons!

terça-feira, 29 de junho de 2010

Sucesso

"O sucesso e a fama são totalmente aleatórios. Mas o mesmo não se pode dizer da felicidade. É possivel pintar e ser feliz. A questão não é saber se o quadro se tornará famoso ou se você se tornará um novo Picasso. O que importa é pintar de uma forma tal que até Picasso o invejaria.

O sucesso não alimenta porque não contém nutrientes- o sucesso é apenas uma palavra.

Todas as pessoas sofrem de um complexo de inferioridade. Esta situação é realmente estranha, porque ninguém é inferior nem superior. A unicidade de cada indivíduo impossibilita qualquer comparação.

Aquele que tem ambição é doente."

Osho

Sou doente. Mas sei que na maioria das vezes quanto mais longe se chega, menos sorrisos temos no bolso. Parece que é a moeda de troca.

-Queres subir mais uns degraus? É uma duzia de tardes bem passadas sff.

-Quer uma promoção no trabalho? 5 gargalhadas, está com sorte é tempo de saldos.


Não, não, não..

Quero as minhas tardes bem passadas, quero risos e abraços.
Quero paz e música.

Quanto custa? Eu pago.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Ser mais caracol

Everyday, think as you wake up, ‘today I am fortunate to have woken up, I am alive, I have a precious human life, I am not going to waste it. I am going to use all my energies to develop myself, to expand my heart out to others, to achieve enlightenment for the benefit of all beings, I am going to have kind thoughts towards others, I am not going to get angry or think badly about others, I am going to benefit others as much as I can.

Dalai Lama



Não quero acordar. Estou abraçada à cama com tanta força que até acho cruel arrancar me desta escuridão apaziguadora.

Mas se acordarmos cedo reparamos na calma e na satisfação que o dia sente ao sair da 'cama'. Ele saboreia vagarosamente o despertar. O que nos falta é uma simples aprendizagem do devagar.

Toda a saudação é lenta.
Todo o prazer se vive mais intensamente se for vivido em passo de caracol.