Também não percebo os sinais - aquelas pequenas repetições ou ironias que o destino, disfarçadamente, nos oferece- que me falam na rua. Fico a mira-los, gosto de os descobrir, como se se tratasse de um belo pedaço de natureza morta caída no chão à espera que um olhar de artista o leve para casa. Atrevo-me a pegar nesses tais sinais e a pô-los nas minhas quase sempre gigantes malas, nunca se sabe o tamanho dos ditos.
Mas eles não falam comigo. Estão mortos! É impossível interpreta-los, conhece-los, não são capazes de explicar ou ensinar porra nenhuma. Que injusto! A arte do meu olhar sente-se agora inútil e incapaz, talvez por isso haja tão pouca nos olhos destes homens.
A arte não tem paciência, é frívola, inconstante e exigente nas suas carências. Temos de a alimentar se não morre. De lhe dar os bons dias, as boas tardes, as boas noites... Não é preciso ser com simpatia, ela só quer estar perto do que sentimos, seja lá o que for.
No fim, os sinais lançam-nos um sorriso quase maquiavélico, porque sabem que é o acaso o dono do mundo.
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ResponderEliminarApetece-me dizer que fui eu quem escreveu isto . Não tinha ideia de teres esta opinião. Bonito!
ResponderEliminarE é mesmo frustrante ver a aleatoriedade acontecer. Aguentemo-nos!
A arte nao vem a quem quer. A arte procura aqueles que a podem expressar no seu auge, aqueles que a atraem sem a chamarem. A arte e elitista e consumista, pois consome-nos por dentro, entra na nossa cabeça, alicia-nos quase obcecando-nos. mas por vezes, escolhe-nos ou calha-nos e representa o orgasmo mais saboroso de todos e o o supremo delirio.
ResponderEliminarNao sou crente, mas custa-me acreditar na casualidade de tudo e na aleatoriedade de nada. as ironias e os sinais sao resultados improvaveis de conjuntos de circunstancias, sao acontecimentos altamente improvaveis que se intersectam e se apresentam diante de nos. Se calhar tudo isso resulta de os interpretarmos e interpretarmos segundo os nossos quadros mentais e desse modo e possivel encontrar ligacoes e explicacoes. Mas nao sei as vezes gosto de acreditar que nao controlamos tudo ,que nao conhecemos tudo e nao me sinto mal de estar aqui no limbo do desconhecido, deste que ele nao me tente atirar borda fora.
Saudaçoes Mario